Punk

No teatro os atores vestem figurino, usam adereços, as vezes colocam perucas, bigodes falsos e também maquiagem. Fazemos tudo isso para dar vida a um personagem e narrar uma história para quem quiser ouvir. As vezes uma peruca ou um bigode falso não se encaixam no conceito do espetáculo e, por isso, cortamos os cabelos, deixamos a barba crescer, deixamos os bigodes crescer… Isso porque exercemos com verdade a nossa função de narradores.

Mas o assunto que quero colocar aqui não é o amor pelo teatro, mas o meu corte de cabelo. Sim. Meu moicano.

No espetáculo Édipo Rei interpreto o personagem título, um homem ‘três vezes maldito; por ele mesmo, por sua gente e por todos os deuses’ como ele mesmo grita com a força de seus pulmões. Para a nossa montagem todos do elenco compraram a concepção proposta pela direção inspirada no movimento Punk da década de 80, e assim concebemos o visual de nossos personagens. Baseando-me nisso, encontrei o cabelo ideal para o meu Édipo; um corte simples e radical ao mesmo tempo. Antes de apresentar minha sugestão para a direção, eu pensei em como seria andar por São José dos Campos com um moicano, em como as pessoas me veriam, se eu seria tratado de forma diferente, se as pessoas seriam agressivas comigo, se teriam medo… enfim. Mesmo assim decidi enfrentar os riscos e… cá estou, há quase 4 meses zanzando por aí com um moicano penteado para o lado.

E sim, as pessoas me tratam de forma diferente. O cabelo chama a atenção. Alguns tem medo, mas não é que a maioria é até simpática? Talvez eles esperem que a atitude agressiva venha de mim, afinal o punk sou eu, mas eles sorriem e eu sorrio de volta. Moro em um prédio onde quase 80% dos moradores tem mais de 60 anos e eles são os mais simpáticos de todos. Me cumprimentam sempre com um sorriso largo e são sempre muito simpáticos com seus ‘bons dias’, ‘boas tardes’ e ‘boas noites’, ou até mesmo discutindo o tempo, o aviso do sindico pendurado no elevador ou perguntando se o Hamlet é um cachorro agressivo. Teriam eles medo de mim e por isso são simpáticos? Melhor terem medo do Hamlet. Esse sim é punk!

O caso é que nesse domingo eu e Thaís saímos para tomar café da manhã em uma padaria aqui perto de casa. Sem querer derrubei meu celular no chão bem ao lado de uma mesa onde estava sentado um casal. Vendo que eu tinha agachado para pegar meu celular, expondo todo meu cocuruto punk, o casal em um movimento delicado – mas barulhento – afastou sua mesa de nós. Medo?

Situação até agora

Esse blog irá contar para você como está sendo minha formação como ator. Estou em três montagens até agora. Não vou dizer quais, mas nos próximos posts vou acabar soltando uma ou outra coisa. Não quero expor ninguém e algumas situação serão fictícias. Vou misturar a realidade com a ficção de um modo, que até mesmo eu não vou saber quem falou o que ou mandou quem tomar no cu. Meu objetivo é fazer um relato sobre minha formação como ator, e não um diário de adolescente. Estão se você ta a fim de ler sobre se fulaninho gosta ou não de fulaninha e o que ciclaninha acha disso, pode tirar o cavalinho da chuva e entrar nesse site.

Enfim. Vou escrever mais no próximo post.